SANDRO NORTON

Prestes a lançar o seu novo disco “Flying High… at the heart of it”, a apresentar em concerto na Casa da Música já no próximo dia 8, este músico portuense deixa a porta entreaberta e permite-nos uma espreitadela ao seu novo trabalho.

LeCool (LC): Conta-nos um pouco sobre ti e o teu percurso musical. Consegues resumir? Como começou, por onde andaste, como chegaste aqui?

Sandro Norton (SN): O meu pai ofereceu-me o meu primeiro instrumento, a minha mãe as primeiras aulas. Muito novo fui estudar para um conservatório mas passados alguns anos decidi ir estudar privado com um professor. Nessa altura comecei a estudar Charlie Christian, Wes Montgomery, Grant Green, Parker, chorinhos brasileiros, enfim estava a emergir e absorver musicalmente. Acabei os meus estudos secundários e estudei um ano na Faculdade de Psicologia no Porto. Nessa altura já tocava profissionalmente com muitos músicos. Surgiu a oportunidade de ir estudar música para uma Universidade em Londres e não hesitei, especialmente porque sabia que ia estudar com grandes mestres da guitarra. Tive o privilégio de estudar com professores muito bons ao longo da minha vida: o Dave Cliff, Mike Outram, Shaun Baxter, Ian Scott, Barry Harris, Vicki Genfan, Jonathan Kreisberg, Gary Burton, Charlie Banacos entre outros. Em 2004 conclui o meu mestrado em Composição. Desde aí até aos dias de hoje tenho estado envolvido em diferentes projectos não só a nível musical mas também educativos.

(LC): Tiveste a oportunidade de tocar com grandes músicos, ainda numa etapa inicial da carreira e sabemos que houve uma história engraçada com os Jethro Tull. Como foi essa experiência com a banda de Ian Anderson?

(SN): Primeiro lugar, foi uma enorme honra partilhar música com o Sir Ian Anderson. Um homem com muita experiência de estrada (ele já anda há mais de 30 anos) e aprendi bastante como ele. Ele é um verdadeiro líder e uma pessoa bastante gentil. Tive a sorte de ser chamado para um trial com a banda. Tive três dias para preparar três álbuns inteiros dos Jethro Tull. Fui à audição e tudo correu bem – até marcha turca tocamos juntos, com tempos alterados, o que é muito característico do som deles. Foi com o Ian que desenvolvi bastante a tocar em métricas musicais diferentes. Também trabalhei como músico de estúdio na cidade de Londres onde acompanhei alguns notáveis da música britânica: Pip Williams, Byas, JoJo Watz, Dice, Flipsiders, Gwin Mathias, Mike Outram, Vasilis Xenopolos entre outros. Aprendi bastante com todos eles.

De facto, viver numa cidade como Londres potencializa as possibilidades de tocares com grandes músicos. Também tens acesso a várias culturas onde interagindo com essas mesmas vais enraizando um pouco delas, não só a nível musical mas também pessoal. Tenho feito muitos amigos na estrada.

(LC): Regressado a Portugal, mais concretamente ao Porto, como foi voltar a casa?

(SN): Depois de quase oito anos fora do país senti que era a hora de voltar e começar a fazer os meus próprios projectos. Senti que tinha todas as condições de escrever a minha própria música e de pôr as minhas ensembles na estrada. Foi precisamente nessa altura que comecei a escrever o Flying High e a preparar o meu Octeto para a estrada.

(LC): Disco novo, vida nova. Este disco estava na calha já há algum tempo, podemos considerar que era a tua grande ambição?

(SN): Este disco é uma de muitas ambições que eu tenho. Considero-o, como sendo o meu primeiro livro. Um livro que eu decidi escrever para relatar algumas viagens. Tive a colaboração de excelentes músicos que compreenderam o conceito do álbum.

(LC): “Flying high… at the heart of it” fala de uma viagem, com alusões a várias culturas e ambientes. Sentes que de alguma forma te caracteriza?

(SN): Sim. O facto de ter já viajado por imensos países, possibilitou ter a experiência de diferentes culturas musicais. Essas mesmas viagens diria que são a raiz do Flying High.

(LC): Que tal a sensação de apresentares o teu novo trabalho numa sala como a da Casa da Música? Houve alguma razão específica para a escolha deste lugar?

(SN): É fantástico fazer o lançamento do meu disco numa casa tão bonita como a Casa da Música. É o sitio ideal para o lançar. Tem uma acústica fabulosa e será sem dúvida nenhuma mais um grande concerto!

(LC): Vais apresentar o disco em octeto, orquestrado por ti, mas rodeado por outros músicos da nossa cidade. O Porto tem talento, certo?

(SN): O Porto e Portugal em geral está bem servida de excelentes músico. Sim, temos talento!

(LC): “Guitarra percussiva” é uma expressão estranha para muitos. Queres dar umas luzes sobre esta forma de arte?

(SN): Aprendi esta arte de tocar guitarra com um grande músico irlandês chamado Eric Roche. Foi um professor que tive nos meus anos académicos em Londres. Ele ensinou-me a abordar música de uma maneira diferente. Sob o ponto de vista de estética e forma. Aprendi muito com ele. Foi com ele que aprendi a tocar música tradicional irlandesa e algumas técnicas de caixa que caracterizam aquela cultura. Foi muito divertido aplicar tudo isso no meu instrumento. Foi também com ele que a guitarra ganhou uma nova abordagem para mim. O uso de diferentes afinações. Com ele aprendi mais de vinte! Tocar guitarra percussiva a solo é um desafio mas ao mesmo tempo contagiante.

(LC): Sabemos que és um homem ocupado, entre aulas, composição, orquestração e atuações ao vivo. Como é conciliar tudo isso com apenas 24h por dia? Deixa-te “espaço” para mais?

(SN): Vida de músico é isso mesmo. Acabas por estar metido sempre em quatro ou cinco projetos musicais. Nos dias de hoje não é fácil viver da música. Em primeiro lugar requer muita disciplina e querer ter vontade de vencer. Mas faço porque adoro a profissão que tenho e sinto uma responsabilidade enorme em ser músico.

(LC): O que dirias a quem nos lê agora e ainda não teve oportunidade de te ouvir tocar? Como os convidarias a ouvir o teu novo trabalho?

(SN): Convido o leitor a ir assistir ao concerto dia 8 de Março na casa da música. Se desejar saber um pouco mais do meu trabalho poderá ir a www.sandronorton.com.

Obrigado Sandro! Lá estaremos, no dia 8!

 

O LeCool levanta o véu e convida a ouvir alguns trechos do novo álbum do Sandro. Inspiração, com certeza!

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