Paulo Herbert

O Paulo é daquelas pessoas que tem de estar sempre a criar. A sua formação foi em Bioquímica e foi até ao máximo que se pode ir, ou seja, Pós-Doutoramento na área da Química Ambiental. Durante 14 anos foi a Química que guiou a sua vida, especialmente como investigador e como professor. Ele já fez teatro, cinema, faz desporto (federado), foi alpinista, escalador, foi motoqueiro e hoje a bicicleta é o seu meio de transporte. Os Bonsais, técnica ancestral Japonesa, apareceram aos vinte e tal anos e foram a ligação entre o passado e o presente. Começaram como uma terapia mas quando a investigação começou a ser mais uma obrigação que um prazer, decidiu dedicar-se aos Bonsais e também à arte de construção e manutenção de jardins. Se pensam que jardinagem é só regar umas plantas, não poderiam estar mais enganados, bem como os Bonsais não nascem como árvores pequenas. A Arbole Bonsai é uma espectacular loja de Bonsais e Jardinagem em pleno Centro Comercial Bombarda.
Vamos conhecê-lo melhor…

Le Cool – Paulo, como é que alguém chega a um longo caminho de investigação em Química e decide mudar de vida?
Paulo Herbert - Decidi mudar de vida, mas os meus estudos ninguém me tira. De facto fui investigador e bolseiro durante 14 anos, fui professor e prolonguei a minha actividade como investigador o máximo que pude sem ter de sair do País e que é o Pós Doutoramento . Os Bonsais já estavam na minha vida desde os vinte e tal anos, e quando a Bioquimica começou a ser mais uma obrigação que um prazer, comecei a ponderar mudar de vida. Nesta altura surgiu um convite para abrir a minha loja de Bonsais, por quem estava a montar o projecto do Centro Comercial Bombarda. Mais tarde, há cerca de 3 anos atrás, e em linha com a minha familia, ainda chegamos a pensar em ir para o Brasil, mas felizmente ninguém pagou o que nós pediamos pela casa. O pensamento de não sentires segurança quando sais à rua, começou a assustar-me. Actualmente, consigo conciliar uma actividade mais técnica e intelectualmente mais exigente como o é ser formador, consultor e auditor na área da Qualidade dos laboratórios de ensaios físico-químicos, e outra mais criativa, física e de contacto com a Natureza, de que tanto preciso, que são os Bonsai e os jardins.

LC – Qual é a essência da Arbole Bonsai?
PH – A nossa essência não é simplesmente fazer. Deixa-me dizer-te que ao contrário do que muitos jardineiros estão a fazer, acho que o caminho não vendermo-nos por quase nada. Acho incrível os preços que se praticam e confesso que quando assim é, chego mesmo a dizer que não. Na minha opinião todos os trabalhos têm de ser compensados, e a jardinagem para além de um trabalho é uma arte. Assim a nossa essência está em fazer um trabalho de excelência, e isso tem um preço.

LC – Saindo um pouco do que fazes, consideras-te uma pessoa liberal ou conservadora?
PH - Considero-me uma pessoa conservadora numas coisas e liberal noutras. Gosto de sentir referências fortes e acho que quando se perde isso, perde-se um pouco a orientação.

LC – Como vês esta geração Pós 25 de Abril?
PH - O problema dessa geração é que muitas pessoas se demitiram de educar os seus filhos. Infelizmente e como os pais se demitiram dessa missão, essa geração tem falta de referências fortes por onde se possam guiar. Acho mesmo que esta geração precisa de um farol que os possa guiar.

LC – Como vês a explosão do turismo no Porto?
PH - Sinceramente eu vivo na ambiguidade de achar óptimo contactarmos com outras culturas, mas detestaria que o Porto vivesse somente direccionada para o turismo. Não podemos perder a nossa identidade, os nossos tascos, o nosso bairrismo…Acho que é preciso acalmarem um pouco com a abertura de tantos sítios novos.

LC – Há algum sitio que queiras recomendar em especial?
PH - Há sim! Chama-se Espaço 37 e é um restaurante familiar para quem gosta de sabores e ambientes Africanos. Tudo ali é excelente, e recomendo a não perderem oportunidade de o conhecer.

LC – Para terminar, há algo no Porto que possa melhorar?
PH - Claro que há. As pessoas e as condições que têm, dar-lhes melhores condições de vida, porque como as pessoas são o espelho da cidade, se elas estiverem melhor, a cidade só tem a ganhar. Investir na educação, na cultura e na saúde, mas isso é a nível nacional!
E porque não apostar mais nas bicicletas?

LC – Paulo, muito obrigado por esta excelente entrevista! Aqui fica os link onde podem acompanhar o seu trabalho, bem como a Arbole Bonsai!

www.facebook.com/arbole.bonsai

Entrevista por : David Magalhães