Lucky Stripes

Engane-se aquele que pensa que o nome é inspirado nos White Stripes. O Ricardo Riscas, é um criativo de natureza, mas marketeer de formação. Espinho foi a cidade que o viu nascer, e é a sua casa. Nota-se que tem uma paixão pela sua terra, algo que hoje em dia é raro, porque até os sentimentos estão em saldo. Fundou a Romã Design com a Carla Estrada, e mais recentemente pegou em caixas de charutos,e num golpe quase que por magia, deu-lhes vida. Juntem-se nesta viagem de comboio imaginária, e vamos dar um salto a Espinho…

Le Cool – Como é que te lembraste de fazer guitarras a partir de uma caixa de charutos, ou como tu dizes, Cigar Box Guitars? 
Ricardo Riscas - A ideia não é original, as primeiras Cigar Box Guitars datam de 1880, quando os charutos começaram a ser comercializados em caixas de madeira com 20-50 charutos em cada, ao invés do uso de barris para o efeito. A construção das primeiras guitarras surgem no sudoeste dos EUA entre a comunidade pobre que trabalhava arduamente nas plantações de algodão.
Respondendo à tua questão, a minha primeira guitarra surgiu no Natal de 2010, numa troca de prendas já tradicional que existe entre um grupo de amigos. A regra é as prendas serem feitas pessoalmente por cada um. Assim sendo, nesse ano saiu-me um amigo que era um pro no Guitar Hero mas que é vocalista. Aliado isso ao facto de eu já ter conhecimento de guitarras porque já toco o instrumento há uns anitos, pensei em criar algo a partir desse ponto. Fiz pesquisas, vi muitos vídeos de como se pode criar a própria guitarra, e fiz uma. Bem, ele nem se queria acreditar, e eu fiquei espantado com a reacção dos amigos. Depois desse empurrão, começaram a pedir-me para fazer guitarras, e percebi que era algo que me dava um prazer enorme fazer. Foi assim que tudo começou.

LC – E o nome, tem alguma coisa a ver com White Stripes? 
RR - Perguntam-me isso várias vezes mas não. Eu procurava um nome que estivesse dentro do universo do blues, que resultasse como uma alcunha. Um dia estava a olhar para um maço de tabaco da Lucky Strike e tive aquela chapada de eureka. A minha alcunha é Riscas, como sou conhecido pelos meus amigos, traduzindo Riscas para inglês fica Stripes. Estava ali o que procurava, Lucky Stripes.

LC – Há também uma imagem ligada à marca….
RR - Sim, há uma imagem ligada à Lucky Stripes. É um homem barbudo, de cabelo comprido e óculos escuros. Para mim personifica o Lucky Stripes. Muitos perguntam-me se é o Billy Gibbons dos ZZ Top, eu respondo que também pode ser! Acho esta imagem enigmática e misteriosa, é um misto de sapiência, irreverência e coragem. Achei que seria um complemento perfeito para a personalidade das guitarras, também elas com um som enigmático e únicas.

LC – Confesso que quando as vi, fiquei espantado. Como é que crias uma? 
RR - A construção das guitarras é feita por diversas etapas. Que começa pela recolha/procura de diversos materiais, as caixas, as madeiras, as ferragens, electrónica e outros tantos que se vão encaixando na estética e na exclusividade de cada guitarra. Depois a construção, que envolve ferramentas e muito suor. Nesta fase é construído o braço e é feito o encaixe na caixa de charutos. Posteriormente o envernizamento, onde utilizo a técnica da aplicação de gomalaca. E já numa fase mais avançada, a montagem das várias ferragens, aqui procuro ser criativo e usar materiais incomuns nas guitarras, como puxadores de gavetas, chaves, anilhas usadas, etc … é a etapa onde tenho maior liberdade criativa.
Há ainda a aplicação de um pickup, que irá amplificar o som das cordas; A construção do estojo da guitarra, que leva um bonito estofo no interior, e que permite a preservação do instrumento. E ainda uma alça personalizada, feita com design exclusivo, fruto da parceria com a Pickpocket. Essencialmente é assim que nasce uma Lucky Stripes, única e exclusiva.

LC – Tens mais projectos ao mesmo tempo das Lucky Stripes? 
RR - Claro! Tenho a Romã Design que é um estúdio de design de comunicação e é um projecto a dois, com a Carla. Temos tido um sucesso interessante dentro da área cultural mas ainda temos muito para crescer.
Falando ainda da Lucky Stripes, tenho um projecto que se chama Lucky Stripes Sessions que consiste em gravar em vídeo músicos e apaixonados destas guitarras a tocar um tema ou mais com as guitarras Lucky. O objectivo é dar a conhecer as potencialidades do som destas guitarras e ao mesmo tempo promover o músico. No canal de youtube já é possível ver os videos realizados até agora!

LC – Conta-nos algo que estejas a planear neste momento. 
RR - Neste momento, gostaria que o Seasick Steve tocasse com uma guitarra minha. Ele vem tocar dia 21 Agosto ao Festival Paredes de Coura e é lendário a tocar Cigar Box Guitars.
O Seasick Steve toca com Cigar Box Guitars e outros instrumentos também feitos por ele. É um grande músico, com uma história de vida curiosa e está em tour com outro grande nome, John Paul Jones (Led Zeppelin).
Por isso e muito mais é que lhe gostaria de oferecer uma Lucky Stripes especial com referências a Portugal. Espero que a consiga entregar! Tenho a certeza que a organização ao saber do motivo vai-me deixar estar com ele um bocadinho. Vou ter que tentar!
As cigar box guitars têm um som muito particular que merece ser ouvido e explorado.

LC – Fiquem aqui com os links onde podem acompanhar o seu trabalho, e da Pickpocket… 

luckystripesguitars@gmail.com
https://www.facebook.com/Luckystripesguitars
http://lucky-stripes-guitars.tumblr.com/
http://instagram.com/ricardoriscas
http://www.youtube.com/luckystripesguitars
https://www.facebook.com/PickpocketAccessories

 

Entrevista por : David Magalhães